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Friday, November 21, 2003

Mudou o quadro para outra parede. Perto da janela. Longe da cama. Não deixe transparecer o meu profundo estado de inquietação com a alteração normal do padrão estético que tinha traçado para aquela parede. Parei. Procurei ingloriamente um cigarro. Daqueles que matam. Olhei pela janela. Queria fugir dali. Do outro lado, um cena de sexo. Ela dominava-o sem perdão. Exercia o direito de vingança conquistado durante anos. Elas perderam o seu Estado. Agora procuram o seu lugar no meio de merda. Estão atoladas até bem lá cima. É o pior. Nunca pensei ver tanta anarquia e desagregação. A natureza virada do avesso. Resta-nos assistir ao espectáculo. Escolha-se um bom lugar para poder ver os Actos todos. Levante-se a cortina. A tragédia vai começar.
Voltei depois de ter ido sem querer. Calculei os passos a dar nas ruas que não queria vencer. Lá fui. Deixei de saber porque nunca voltei para trás. A meio do caminho pensei que já era muito tarde para ir buscar um dicionário de vernáculo e presentear todos os infames que conheci nas esquinas que amargaram milhares de jantares que comi sozinho no Martins. Ainda lhe devo dois bacalhaus à brás. Disse-me que podia pagar com livros. Não acreditei. E...nunca se paga um bacalhau com um livro. Honre-se o bacalhau.

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